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Cunicultura

DIA A DIA DA CRIAÇÃO DE COELHOS


Alimentação
Os coelhos deverão receber uma ração peletizada própria e de boa procedência, da desmama até entrarem em produção recebendo uma média de 120 gramas ao dia. As matrizes ao entrarem em produção devem comer ração a vontade, porém de forma controlada, a fim de que os animais não desperdicem. Pode-se considerar para efeito de cálculo, um consumo de 90 gramas diárias de ração por coelho do plantel. Como complemento e até economia, devemos fornecer forragem verde, (rami, confrei, folhas de bananeira ou árvores frutíferas, picão, aveia preta etc, e hortaliças, com exceção do alface) em quantidades controladas. Para evitar desperdícios, recomenda-se, no caso das hortaliças, um prévio descanso para que murchem. A água deverá ser potável e abundante.


Cuidados Sanitários

A melhor prevenção contra doenças é manter o rebanho em perfeitas condições de higiene: limpeza periódica das gaiolas com escovas e bactericídas. Galpões e gaiolas devem ser desinfetados mensalmente com bactericida e lança chamas mantendo-os o mais limpo possível.

A retirada do esterco será feita em um período máximo de vinte dias no verão e quarenta dias no inverno. A cada retirada de esterco, joga-se uma camada de cerca de um centímetro de serragem ou outro material seco. Ninhos e cumbucas sujas devem ser lavados com desinfetantes, bem secos ao sol e passados pelo lança chamas, a caixa d'água deve ser lavada e as mangueiras esgotadas a cada mês.


Gestação
    


Período de gestação: 31 dias. Três dias antes do parto deve-se colocar o ninho na gaiola da fêmea. O ninho tipo caixa fechada com abertura frontal que é o mais recomendado, deverá ser 30 x 40 x 30 cm com a abertura de 15 cm, devendo ser forrado de preferência com "maravalha" (não serragem em pó, nem fita), ou utilizar palha, feno macio (capim colchão). Durante a gestação, a fêmea necessita apenas de um lugar tranqüilo sem outros cuidados especiais. Normalmente a fêmea arranca pelos do próprio corpo e mistura-os com o material do ninho. Logo após o parto o ninho deve ser examinado retirando-se os natimortos, observando se os láparos permanecem juntos e não espalhados por todo o ninho. Os ninhos deverão ser examinados diariamente, a fêmea amamenta os láparos no máximo duas vezes ao dia, caso uma coelha crie mais de oito filhotes e outra menos de sete, o excesso da primeira deve ser colocado com a segunda, a média é de sete filhotes por parto. Depois de 15 dias do nascimento a fêmea poderá ser coberta novamente. O ninho será retirado trinta dias do nascimento e o desmame após quarenta e dois dias. Entre setenta e cinco e noventa dias os filhotes estarão prontos para corte, com um peso médio de 2,2 a 2,5 kg.
CICLO REPRODUTIVO
01/07primeira cobertura
11/07primeira apalpação
27/07colocar ninho
01/08primeiro nascimento
15/08segunda cobertura
25/08segunda apalpação
01/09retirada do ninho
12/09desmame + colocação do novo ninho
15/09novo nascimento



Instalações

As gaiolas deverão ter, de preferência, bebedouros automáticos e cumbucas para ração, sendo montados em galpões já existentes na propriedade ou construídos conforme planta anexa. Utilizando gaiolas suspensas em um andar, o piso do galpão deverá ser de terra, tendo a opção dos corredores de cimento, a lateral do galpão deverá ser uma mureta de 0,50 cm de altura e o resto deverá ser fechado com tela e cortinas que possam ser abertas e fechadas de acordo com o clima.

As cabeceiras do galpão deverão ser fechadas. A construção do galpão deverá ser feita em local seco e protegido de ventos fortes obedecendo a posição das cabeceiras sentido nascente-poente. Caso o terreno seja do lado sul, de onde provem os ventos frios descampados, além da cortina será necessário plantio de um renoue de proteção (ex: capim napier, elefante, bambú, etc.), do lado oposto proteção para o sol forte da tarde (ex: bananeiras seria uma boa opção ou ainda santa barbara). O material para a construção será o mais simples e o de mais fácil aquisição na região: alvenaria, madeira, etc. Para a cobertura: telhas de barro, amianto ou mesmo sapê ou piassava.


Mão-de-Obra


Com o manejo aqui descrito, um funcionário pode cuidar de um plantel de 200 matrízes em média.


Reprodução


A fêmea deverá ser coberta pela primeira vez após os quatro meses devendo o macho ter cinco meses, entretanto no cio a coelha fica inquieta, a vulva fica entumecida e arrocheada.

A fêmea será retirada de sua gaiola e levada para a do macho, após cobertura, não esquecer de fazer anotações na ficha. Após dez ou quinze dias, determina-se por apalpação se a coelha está prenha ou não. O parto ocorre trinta dias após a cobertura fértil.

Normalmente o macho faz duas coberturas ao dia e um descanso no outro. O maior índice de fertilidade na coelha se dá no início de reprodução. A partir de 4 meses e meio para raças médias, no plantel, como um todo, o inverno e a primavera são os mais férteis, caindo no verão e outono, a média anual por cobertura de uma fêmea é de 60%.

O melhor índice de prenhes é quando se faz a cobertura logo após o parto, após 6 a 10 horas (95%), como conseqüência teremos o desmame precoce, com 28 dias. O segundo índice é quando a cobertura é feita 15 dias após o parto (60%), desmame com 42 dias. O terceiro índice é a cobertura 30 dias após o parto (75%), desmame com 55 dias.
Reprodutores

A aquisição das matrizes e reprodutores para o início de criação deverá proceder de uma granja comercial idônea. As raças a serem adquiridas, aconselha-se que sejam de porte médio, tais como: Nova Zelândia BrancoCalifórniaChinchilaBorboletaNova Zelândia Vermelho, ou um cruzamento industrial. Isto porque elas reúnem características essenciais como boa conversão alimentar, precocidade, carcaça, rusticidade e fecundidade.
Plantel Dinâmico

Após a segunda cria das fêmeas, considera-se normal uma substituição mensal de oito a dez por cento de matrizes, os motivos são diversos: por morte, por não pegar cria, etc. Estas serão descartadas e irão para abate sendo substituídas por outras jovens já cobertas, de produção da própria criação.


Módulo Piloto para 10 matrizes
Dez matrizes produzem seis filhotes desmamados por parto, igual a 50 coelhos. Seis filhotes por gaiola, teremos 10 gaiolas, incluindo o plantel dinâmico totalizando 14 gaiolas, reposição de 10% de fêmeas ao mês no plantel de matrizes.

A eventual compra vínculo estágio na granja sobre o manejo da criação. Estágio que deverá ser feito a fim de garantir o sucesso da criação.

O manejo de 10 matrizes corresponde a meia hora de trabalho por dia.
 
Modelo 5 - Engorda
Tampa superior
Dimensão: 80 x 50 x 35 cm
Acomoda de 4 a 6 cabeças
 Modelo 2 - Matriz
Tampa superior
Dimensão: 80 x 50 x 35 cm
Malha fechada para evitar saída de láparos

10 matrizes + 2 reprodutores de raça para produção intensiva, de carne.
12 gaiolas modelo 2 para produção.
14 gaiolas modelo 5 para engorda e plantel dinâmico.
40 bebedouros automáticos
64 comedouros para engorda e plantel dinâmico.


Galpão para 10 matrizes
 
 

Caprinos

Manejo Reprodutivo de Caprinos 

A base da organização de um sistema para produção de carne e pele está na adoção de épocas de acasalamento bem definidas ao longo do ano, de tal forma a proporcionar um intervalo entre partos médio de oito meses.
Para tornar isso possível, é indispensável à seleção dos animais ao longo dos ciclos de produção, buscando manter no rebanho apenas animais férteis, prolíficos, precoces sexualmente, com alta velocidade de ganho de peso, fêmeas parideiras e boas mães. Sabe-se também, que sem uma escrituração zootécnica eficiente, fica difícil a tomada de decisões e a definição de metas a serem atingidas na produção.

Escolha das Fêmeas para Reprodução
Devem ser escolhidas as fêmeas jovens que tiverem atingido 70% do peso adulto das fêmeas do rebanho, e da mesma raça, bem como as ovelhas e as cabras primíparas e pluríparas do rebanho, selecionadas quanto à fertilidade, prolificidade e amabilidade materna, mensurada através da taxa de sobrevivência de crias ao desmame. Todas as fêmeas devem ser vistoriadas, no mínimo, 21 dias antes do início da estação de acasalamento, quanto a aspectos sanitários, clínicos e ginecológicos, e quanto ao aspecto nutricional. É preconizado o uso de fêmeas com condição corporal entre 2,0 e 2,5, de forma que, ao serem submetidas a uma suplementação protéico-energética, iniciem a estação de acasalamento ganhando peso, atingindo o escore corporal entre 3,0 e 3,5. Fêmeas com escore corporal acima de 3,5, devem ser submetidas a uma dieta de restrição alimentar, para que possam perder peso previamente ao início da estação de acasalamento e atingirem a condição corporal desejada.
Para se elevar os índices de concepção e implantação dos embriões no útero, é recomendado prolongar a suplementação alimentar por até três a quatro semanas após o início da estação de acasalamento, podendo depois reduzir para os níveis de mantença até 100 dias de prenhez.
Não se recomenda o uso de vermífugos nos primeiros 45 dias da estação de acasalamento para evitar o desenvolvimento de fetos anormais.
Escolha dos Machos para Reprodução
Devem ser escolhidos machinhos jovens a partir 7 a 8 meses, devendo para estes reduzir a relação macho/fêmea para, no máximo, 1:15, bem como reprodutores adultos, em torno de 18 meses.
É necessária a realização de exame clínico e andrológico 60 dias antes do início da estação de acasalamento e poucos dias antes de seu início, para que se possa identificar a capacidade fecundante dos animais. É também nesta época que se deve iniciar uma suplementação dos animais visando a melhoria da qualidade do sêmen que será liberado durante a estação de acasalamento. Vale salientar que o sêmen que é liberado “hoje” no ejaculado, foi produzido há 46-54 dias atrás, daí tecer cuidados com 60 dias de antecedência.
Estação de Acasalamento
Para melhor definir a duração das estações de acasalamento, são necessários alguns conhecimentos acerca da fisiologia reprodutiva das fêmeas.
As fêmeas ovinas e caprinas apresentam uma ciclicidade média de aparecimento de estro (cio) de 17 e 21 dias, respectivamente. Encontrando-se estas espécies em um bom estado sanitário, nutricional e em ambiente favorável, esta ciclicidade é observada ao longo de todo o ano nas regiões de clima tropical, onde o Nordeste está inserido.
Baseada nessa periodicidade do aparecimento do estro dimensiona-se a estação de acasalamento para proporcionar a estes animais duas a três chances de emprenharem por ciclo de produção. Geralmente, no primeiro ano de implantação da prática de manejo, se dá três oportunidades à fêmea, ou seja, uma estação de acasalamento com duração média de 51 e 61 dias para ovelhas e cabras, respectivamente. A partir da segunda estação reduz-se para dois ciclos, isto é, 34 dias para ovelhas e 42 dias para cabras.
Objetivando concentrar o aparecimento de estro entre as fêmeas do lote a ser acasalado, pode-se fazer uso do “efeito macho”, técnica de sincronização do estro baseada na utilização de machos vasectomizados. Para que seja induzido o efeito nas fêmeas, os rufiões, bem como os reprodutores e outros indivíduos do sexo masculino, devem ser retirados do contato auditivo, visual e olfativo direto ou indireto com as fêmeas por, no mínimo, 21 dias. Ao serem reintroduzidos no plantel, provoca-se uma descarga hormonal nas fêmeas, suficiente para provocar a ovulação. Em ovinos, uma alta porcentagem de animais chega a ovular, porém o cio não é percebido pelo reprodutor em muitas delas. Baseado nesta particularidade destas espécies, preconiza-se a introdução dos rufiões no plantel, na proporção de 1:25 fêmeas, 20 dias antes de dar inicio às coberturas com os reprodutores, dando a chance de todas as fêmeas apresentarem o estro pela primeira ou segunda vez, concentrando este aparecimento nas primeiras duas semanas da estação de acasalamento, o que facilitará, também, o manejo na estação de parição.
Manejo do Rufião
Há duas possibilidades de manejar os rufiões. Uma é o contato direto desse com as fêmeas ao longo de todo o dia. Nesse caso, é necessário o uso de tinta marcadora no peito dos animais, para que, ao saltarem sobre as fêmeas, esta fique marcada. A tinta deve ser reforçada no início da manhã e final da tarde, quando devem ser retiras as fêmeas identificadas com a mancha de tinta. Estas fêmeas são então levadas ao reprodutor, 12 horas após a identificação do cio. Após a retirada do plantel só deverá retornar após 24 horas de sua separação, ou seja, após o término do cio, para não atrapalhar a identificação pelo rufião de outras fêmeas em estro. Nessa prática de manejo de rufiões, os animais são mais exigidos, necessitando de maiores cuidados quanto ao aporte nutricional para os mesmos.
Uma outra possibilidade é a observação direta da rufiação em apriscos ou piquetes. Esta deverá ser realizada duas vezes ao dia, no início da manhã e no final da tarde, durante um período mínimo de 30 minutos. As fêmeas identificadas em cio pelo rufião são retiradas do lote imediatamente, prosseguindo-se a observação. Esta prática potencializa o uso do rufião no plantel, de forma a aumentar a relação rufião/fêmea, a qual poderá vir a ser de 1:40. Após o término do tempo de observação, os rufiões são apartados das fêmeas e levados a piquete separados destas, onde são suplementados para nova utilização 12 horas depois. As fêmeas em estro podem ser reincorparadas ao plantel após a identificação, sendo separadas novamente à tarde, antes da nova observação, para serem cobertas.
O uso de piquetes pequenos para a observação, facilita a identificação das fêmeas em estro, pois aumenta a proporção de fêmeas por m² de área de identificação, reduzindo o desgaste do rufião e elevando a eficiência do tempo de observação.
Relação Macho:Fêmea
O uso da monta controlada possibilita uma relação de um reprodutor para até 40 fêmeas. Com o uso do rufião essa relação pode ser incrementada, sendo possível o uso de um reprodutor para até 60 fêmeas.
Vale ressaltar, a necessidade de se ter no rebanho o número mínimo de dois reprodutores, pois somente dessa maneira se poderá comparar a eficiência do rebanho entre reprodutores e selecionar indivíduos que realmente estão elevando os índices produtivos, ou seja, que fazem diferença.
Diagnóstico de Prenhez
Caso seja possível, é aconselhada sua realização de forma a direcionar os aportes nutricionais de maneira diferenciada com estado fisiológico das fêmeas, vazias e prenhes. Com o uso de equipamento como o ultra-som, é possível, também, identificar o número de fetos por fêmea prenhe, podendo-se formular dietas baseadas nas exigências nutricionais de uma fêmea com um ou mais fetos. O diagnóstico com o ultra-som transretal, módulo B, pode ser realizado com bastante brevidade, 22-25 dias após a cobertura, permitindo uma alta acurácia na identificação do número de fetos aos 40-45 dias de prenhez. O produtor pode pela ausência de cio em cabras e ovelhas que foram cobertas na estação de monta inferir que elas podem estar prenhez.

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