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Minhocultura

MINHOCULTURA

     A criação de minhocas (minhocultura) é, entre nós, uma atividade recente e desconhecida do grande público. A exemplo dos demais países da América do Sul, ela teve início no final de 1983, com matrizes trazidas da Itália pelo Comendador Lino Morganti, para a sua propriedade em ltú (SP).

      
Thomas Barret, considerado o "pai" da criação de minhocas em cativeiro, foi o primeiro a demonstrar a viabilidade de criá-las em larga escala, através de um sofisticado sistema de canteiros, na década de 40, nos EUA, daí ser esse país considerado a pátria da minhocultura.
     
O comércio de minhocas vivas, como isca para a pesca esportiva, tem sido o grande responsável pelo desenvolvimento da minhocultura em muitos países.

      
Nos EUA, estima-se que os 100 milhões de pescadores ali existentes movimentam centenas de milhões de dólares anuais com o comércio de minhocas para finalidades esportivas, dispondo, para tanto, até de "containers" de tipo "caixa 24 horas".

      
No Brasil, os baixos investimentos exigidos na sua criação têm levado muitas pessoas a se interessarem em explorar a minhocultura como uma fonte de carne (proteína) barata, para a alimentação de pequenos animais, como rãs, peixes, aves, camarão-de-água-doce, e, principalmente, na produção de húmus, esterco de minhoca ou vermicomposto (terra vegetal), para fins de jardinagem, florístico, de paisagismo e da agricultura em geral, capaz de proporcionar-lhes um rendimento extra.
     As minhocas são animais que se caracterizam, em particular, por apresentarem os seus corpos segmentados, interna e externamente. Esses segmentos (somitos) que, conforme a espécie, variam enormemente, desde sete nas espécies microscópicas, até mais de quinhentos nos minhocuçus, e assemelham-se a pequenos anéis, daí o porquê de elas serem chamadas de anelídeos, doPhylum  Annelida.
     De acordo com o número e o tamanho desses anéis, são encontrados indivíduos desde cinco milímetros de comprimento até 3,30 metros, como a Megascolides australis, a gigante das minhocas.

      Em todo o mundo, estima-se que existam cerca de 1.800 espécies de minhocas, ou mais de 3.000, incluindo-se as desconhecidas.

Reprodução
     Os oligoquetas, como também são conhecidas as minhocas, são animais hermafroditos, isto é, apresentam os órgãos reprodutores masculinos e femininos num mesmo indivíduo. Entretanto, eles não conseguem se autofecundar, havendo a necessidade do concurso de um parceiro.

     É interessante sabermos que a minhoca é hermafrodita e que após o acasalamento, cada indivíduo, sem distinção, irá produzir um casulo com até 7 ovos por dia (espécies comerciais).

Espécies Comerciais
Apenas três espécies são criadas comercialmente:

1- Eisenia foetida, ou minhoca dos montes de esterco;
2- Lumbricus rubellus, ou minhoca de resíduos orgânicos, a "verdadeira" Califórniana (California-red). Essas duas espécies, embora sejam de origem européia, são conhecidas comercialmente como "vermelha da Califórnia"; e
3- Eudrilus eugeniae, "african nightcrawler", a gigante africana, de introdução mais recente, que vem se constituindo na "vedete" das minhocas, entre criadores e pescadores.

A gigante africana pode atingir 22 centímetros de comprimento, sendo a mais preferida, apesar de apresentar o in conveniente da fuga dos canteiros.
“bolo” de gigante africana pronto para comercialização como matriz, pesca ou alimentação animal.
     No Brasil, estão sendo criadas (misturadas) as espécies 1 e 3, de acordo com a classificação feita pelo professor Gilberto Righi, do Departamento de Zoologia da Universidade de São Paulo, especialista em oligoquetas. Devido ao nosso clima tropical, há uma predominância da gigante africana nos canteiros dos criadores.

Criação
     A criação é feita em canteiros de 1m de largura por 0,40m de altura e comprimento variável de 10 a 15 metros.
     Para a construção do canteiro, ao nível do solo, com fundo de terra batida, podem ser usados tijolos, blocos, tábuas e o bambu aberto no meio, com uma declividade interna de 2%, para facilitar o sistema de drenagem.
Canteiros construídos com bambu aberto no meio, com fundo de terra e protegidos com lona plástica nas  laterais. Criado pelo autor.

Matéria-prima
     Para o carregamento do canteiro, podemos usar o esterco animal curtido, lixo domiciliar ou outra fonte de matéria orgânica em decomposição, que, além de servirem como um ambiente natural para as minhocas, são usados na sua alimentação. Para tanto, o esterco de gado, o mais utilizado, deve ser fermentado-compostado.
     Inicialmente, faz-se uma camada de restos de culturas, como colmos e talos de plantas, folhas, capins e cascas, ricos em fibras (carbono), com mais ou menos 30cm de altura, sobre a qual coloca-se uma camada de mais ou menos 10-15cm de esterco fresco, rico em nitrogênio e, assim, sucessivamente, até completar a pilha. Não se deve esquecer que ao se fazer uma nova camada de material fibroso mais esterco, a camada anterior deve ser umedecida. Essa pilha deve ter 1,50 de altura, 2m de largura e 5 a 6m de comprimento, com formato de um telhado com 4 águas.
     Após a compostagem (cerca de 30 dias), quando a temperatura da pilha esfriar, podemos, então, colocar o composto no canteiro para que as minhocas promovam a sua humificação.

Matrizes
     As matrizes podem ser adquiridas com os criadores que as comercializam, tendo, geralmente, como base de venda o litro de minhocas (mais ou menos 1.500), cujo preço varia de acordo com a região.

Povoamento do Canteiro
Para iniciantes: 1 litro de minhocas/metro quadrado de canteiro, com comprimento de 5 a 6 metros (fase de adaptação e multiplicação das matrizes) .
Canteiro comercial: 5-6 ou mais litros de minhocas/metro quadrado de canteiro, já que elas foram produzidas pelo próprio criador.
     As matrizes devem ser colocadas livremente na superfície do canteiro logo na parte da manhã, e, a seguir, cobertas com o capim que protege o canteiro, para evitar que elas fujam com a chegada da noite.

Condução do Canteiro
     Além da alimentação (esterco), da temperatura, da acidez, da aeração e da drenagem do canteiro, o teor de umidade é da máxima importância para o desenvolvimento das minhocas; sempre que o teor cair abaixo de 80%, o canteiro deve ser irrigado.

     Cuidados especiais devem ser dados, quase que diariamente, aos inimigos naturais das minhocas: galinha; porco; sanguessuga; pássaros; formiga lava-pé; etc.
Bateria de canteiros de tijolos construídos acima do solo. Projeto caro.

Colheita das Minhocas
     A colheita pode ser manual, diretamente sobre o canteiro ou sobre uma mesa, junto com o húmus (matrizes), ou ainda através de máquinas (peneiras).

     Segundo Bonanni, na Itália, alguns criadores com certa técnica conseguem produzir até 4kg de minhocas por metro quadrado de canteiro por mês.
Colheita manual de minhocas sobre uma mesa em local sombreado, como matrizes.
Colheita mecânica das minhocas e/ou húmus com peneira elétrica cilíndrica, rotativa. fazenda Fittipaldi Citrus, do senhor Emerson Fittipaldi, em Araraquara, SP.
Colheita do Húmus
Armazenamento do húmus em galpão, na sombra, pronto para comercialização.
     Dependendo da população inicial de minhocas e da condução do canteiro, dentro de 30 dias, este poderá ser descarregado e o seu húmus peneirado.
Produção esperada: Mais ou menos 150kg/m2/canteiro (40 a 50% de umidade). O preço varia de acordo com a região.

     A matéria orgânica humificada, no caso o vermicomposto, é de grande importância para a fertilidade de nossos solos e, conseqüentemente, para a produtividade agrícola, porque ela atua nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Equídeos ( Equíno)

Manejo reprodutivo
 
   
 
Existem técnicas de avaliação que tornam o rebanho de reprodutores mais produtivos. A simples existência de machos e fêmeas e a escolha de um método de reprodução (seja Monta Natural, Inseminação Artificial ou Transferência de Embriões) são apenas alguns dos muitos passos a serem observados na implantação de um sistema de manejo reprodutivo eficiente no rebanho. 

Monta Natural

No Brasil, país situado no hemisfério Sul, a estação de monta tem geralmente seu início entre os meses de agosto e setembro. O período mais intenso de serviço dos garanhões vai de dos meses de setembro a dezembro, e é necessário um manejo correto dos reprodutores para o máximo proveito de sua fertilidade.
O estabelecimento de uma estação de monta  (definida como único período do ano em que as fêmeas do rebanho deverão ser cobertas) tende a respeitar este período de nascimentos, buscando concentrar todos os nascimentos nesta época, facilitando o manejo durante a parição, e possibilitando um maior controle zootécnico sobre o rebanho de cria, pela uniformidade do lote de potros nascidos. Permite ainda uma melhor utilização, mais criteriosa eeficiente de fêmeas.

Controle de Cobertura

Antes de tudo, é necessária a identificação do momento correto para a cobertura de cada égua. Isto deve ser determinado pelo médico veterinário através do controle folicular. Se isso não for possível, é preciso saber que o período fértil da égua ocorre nas 24/48 horas finais do cio, e não no início do mesmo, como às vezes se supõe. O cio da égua costuma durar cinco dias, o esperma vive no trato genital feminino por 48 horas em média, por isso é praxe, não havendo controle folicular constante, começar a cobrir no terceiro dia do cio e seguir cobrindo em dias alternados, enquanto a égua estiver aceitando o cavalo. Aquelas de ciclo curto devem ser cobertas antes. Mas genericamente falando, é errado começar a cobrir aos primeiros sinais de cio, tanto por exaurir desnecessariamente o garanhão como expor os dois animais, já que no começo do cio a égua ainda não está muito disposta a aceitar o cavalo, nem pronta para conceber.
Identificada à fêmea a ser coberta, ela será conduzida ao local de cobertura e serão tomadas as precauções de segurança, peiando a égua e utilizando cachimbo para conte-la se necessário. Recomenda-se o uso de liga ou atadura na cauda da égua, para evitar que seus pêlos machuquem o pênis, bem como a limpeza do períneo com toalha de papel. No entanto, o uso de germicidas, antigamente muito popular tanto nos machos como nas fêmeas, é contra-indicado, tanto pelo eventual efeito espermicida como pelo fato de, na verdade, encorajar o aparecimento de bactérias patogênicas, ao destruir a fauna bacteriana normal da área.
O encarregado de conduzir o garanhão procederá com a máxima calma e segurança, evitando que o cavalo suba na égua antes do momento correto, e auxiliando-o se necessário.
No treinamento de cavalos jovens, ou recuperação daqueles que tenham tido problemas anteriores, deve-se dar preferência a éguas calmas e experientes, de comportamento estral bem caracterizada, e manter a interferência humana tão reduzida e positiva quando possível.

Números de Cobertura

Idealmente, para assegurar fertilidade máxima, um cavalo deveria cobrir a égua a cada dois dias; este número pode ser aumentado para uma cobertura diária após o condicionamento progressivo e reforço alimentar correspondente. Se por alguma razão, tal como maturação folicular, for necessária que um garanhão cubra uma égua de manhã outra à tarde, é indicado que ele não seja utilizado no dia seguinte. Num haras que opere com auxílio de médico-veterinário para fazer o controle folicular, determinando o momento ideal de cobertura de cada égua, será possível cobrir cinqüenta ou sessenta éguas com um único garanhão. Não havendo estas condições de trabalho, ou na presença de um número maior de éguas, deverá ser utilizado um reprodutor adicional, ou ainda a inseminação artificial a fresco, fracionando as doses de sêmen coletado para servir simultaneamente a diversas éguas.
De qualquer maneira, o hábito antigo de fazer o garanhão cobrir duas vezes seguidas, com intervalo de minutos, é totalmente contra-indicado. Mesmo que o cavalo tenha libido e chegue a ejacular, naquele momento ele não apresentará número viável de espermatozóides no segundo ejaculado. Também não têm fundamento às praticas de evitar que a égua "perca" o sêmen fazendo-a contrair as costas, ou coloca-la na descida. A porção de ejaculado às vezes expulsa pela égua após o salto é a "fração gel", com concentração muito baixa ou nula de espermatozóides e que, de qualquer maneira, é desprezada nos procedimentos de inseminação artificial. Também a crendice de que a égua irá perder a cobertura se urinar imediatamente após a mesma carece de fundamento, uma vez que a uretra e a vagina são estruturas totalmente diversas.

Tipos de Cobertura

Neste texto, estamos considerando a utilização da "cobertura dirigida", tal qual é utilizada na maioria dos criatórios: a égua fica contida por cabresto e peia um auxiliar, o garanhão é conduzido com cabeçada, guia ou cabresto pelo encarregado. Existem também dois outros tipos de cobertura: a campo e a piquete.
A cobertura a piquete pode ser utilizada quando tanto o garanhão como a égua for animais experientes e pouco agressivos, consistindo simplesmente em soltarem os animais dentro de um piquete pequeno, e separando-os depois que a cobertura tiver sido efetuada.
É necessário ter os mesmos cuidados acima para se certificar de que a égua está no ponto ideal dos cios, ou até mais, pois a interferência humana será muito difícil uma vez que dois animais começarem a lutar dentro de um espaço reduzido. Sempre introduza o garanhão no piquete depois da égua, nunca o contrário. Do mesmo modo, na cobertura à mão o garanhão deve ser conduzido à égua depois que ela estiver preparada.
Cobertura a campo é praticamente restrita aos regimes de criação extensiva e de raças rústicas, sendo pouco utilizada hoje em dia. Ainda assim, continua apresentando os mais altos índices de fertilidade em animais acostumados a ela. A exemplo do que é feito na bovinocultura de corte, o garanhão é simplesmente introduzido na manada de éguas no início da estação de monta, é retirado ao cabo de alguns meses.
Dentro os problemas apresentados por este tipo de manejo se incluem o fato de que o garanhão precisa ser acostumado desde potro ao convívio com as éguas, respeitando e reconhecendo os estros naturais. Em nosso sistema artificializados de criação muitos garanhões passam a apresentar instinto sexual para cada égua que vêem, sem saber detectar os sinais de cio.
Outro problema é que dificilmente se saberá a data exata de cobertura, o que poderá causar dificuldades no posterior registro dos potros nascidos. A saúde de todos os animais precisa ser perfeita, especialmente à presença de doenças sexualmente transmissíveis, que nestas condições iriam se propagar velozmente em todo o rebanho. E naturalmente, todos os animais deverão ser supervisionados e revistos todos os dias detectando precocemente acidentes, problemas nutricionais e desgaste excessivo do garanhão. Apesar de todos estes pontos negativos, este manejo é ainda da muito utilizado na criação a campo, por exemplo, dos cavalos Crioulos, no sul do país,  e sem dúvida, seria o preferido pelos eqüinos se eles fossem consultados.

Inseminação Artificial

Entende-se por inseminação artificial o depósito mecânico de sêmen no aparelho reprodutivo da fêmea. Atualmente a inseminação já é uma técnica extremamente difundida, sendo utilizada praticamente em todas as criações animais, e já sendo totalmente acessível para o produtor que quer reduzir custos. Em relação à monta natural, a inseminação oferece uma série devantagens:
- melhoramento genético do plantel em menor tempo.
- controle de doenças venéreas e sexualmente transmissíveis.
- controle de riscos de acidentes que podem ocorrer na monta natural.
- aumento de número de descendentes de um animal.
- utilização do material genético de uma animal impossibilitado para cobertura.
- nascimento de descendentes, mesmo após o falecimento do garanhão.
Para que o processo de inseminação ocorra de acordo, e não aconteça nenhuma falha, é importante manter cuidados básicos para que estes não interfiram negativamente, minimizando o potencial do método. Devemos nos atentar principalmente para: fêmeas reprodutivamenbte aptas, sêmens de alta qualidade, técnica correta de inseminação, e manejo sanitário adquado.
As éguas devem estar em perfeitas condições de saúde,  e o sêmen utilizado deve ter procedência, e ser estritamente armazenado em condições ideais de resfriamento.
Independente da técnica utilizada para a inseminação, os problemas mais frequentes serão sempre os mesmos, falta de higiene, mal armazenamento do sêmen, deposição errada da palheta no momento de inseminação e detecção falha do cio.
Conclui-se que com em todas as atividades relacionadas ao manejo e criação de eqüinos, também o serviço de monta são aparentemente simples, porem requerem mão-de-obra treinada e supervisionada por profissionais competentes, e uma dedicação diária de todos os envolvidos.

Transferência de Embriões

A transferência de embriões trata-se do princípio da multiplicação, de forma acelerada, da progênie (descendentes), de fêmeas (doadoras) consideradas superiores, dentro de cada criatório. Atualmente é a técnica mais acessível e de melhor aproveitamento de uma doadora, multiplicando seu material genético.
Para tal, as doadoras serão submetidas a tratamentos com hormônios, que atuarão sobre os ovários causando múltiplas ovulações (superovulação). Esses óvulos, se fertilizados após as inseminações, serão coletados e avaliados uma semana após.
Os embriões considerados viáveis, poderão ser transferidos para outras fêmeas chamadas receptoras (transferência a fresco) ou congelados para posterior aproveitamento (serem descongelados e transferidos em outra oportunidade).
Resumidamente, podemos dizer que uma égua, considerada muito boa, dificílmente será utilizada como receptora, e sim como doadora. A doadora será inseminada, terá seu embrião recolhido, caso tenha havido fecundação, e esse embrião será inseminado em outra égua, que deve ter boas características maternais, que dará a luz ao novo animal.

Manejo de éguas e garanhões

Na criação de eqüinos, a reprodução é um fator a ser bastante considerado pelo criador visto ser a espécie em si, pouco fértil. O criador deverá, portanto, tomar medidas oportunas para que a produção de potros possa cobrir o custeio dos animais e o arrendamento da terra.
Dar-se-á preferência a reprodutores jovens em plena maturidade sexual; é possível adotar a prática do exame do esperma do reprodutor por um veterinário, constatando desta forma a riqueza e a qualidade deste em espermatozóides.
O cio das éguas costuma ser longo, podendo chegar a 12 dias, mas tendo números dentro da normalidade entre 6 e 9 dias. A ovulação só se verifica no fim desse período; é boa prática fazer cobrições para que numa delas o espermatozóide coincida com a presença de um óvulo em condições de ser fertilizado.
Utiliza-se a prática de cobrir a éguas em dias alternados pois o espermatozóide sobrevive 48 horas no aparelho reprodutor da fêmea, não havendo portanto, necessidade de novas coberturas durante esse período. E importante ressaltar que esse intervalo de 48 horas entre coberturas consecutivas apresenta um decréscimo da fertilidade do reprodutor, como podemos observar:
1ª Cobertura: mais ou menos 75% de fertilidade
2ª Cobertura: mais ou menos 55% de fertilidade
3ª Cobertura: mais ou menos 25% de fertilidade

Observe-se que o cio das éguas se repete a cada 21 dias.
Outro fator que deve ser considerado é que a cobertura das éguas no primeiro cio pós-parto tem maior possibilidade de fecundação (cio do potro) isto ocorre no 7º dia pós-parto.
O criador deve também selecionar cuidadosamente todas as éguas que falharam na procriação, procurando determinar as causas da sua esterilidade; alguns fatores podem ser identificados, tais como: carência de proteína e nutrientes energéticos das pastagens, deficiência mineral (cálcio, fósforo, sal e iodo) e carência de vitaminas (A, E e C ), ou infecções uterinas. As fêmeas que depois de dois anos não procriam, devem ser eliminadas porque oneram a criação.
Alguns cuidados com as fêmeas na hora da cobertura são necessários:
1º- enfaixar a cola de cauda com fita crepe ou faixa elástica, evitando assim que algum fio da cauda penetre junto com o pênis do animal na vagina, provocando ferimentos;
2º- fazer pé-de-amigo na fêmea evitando assim que a mesma fira o garanhão com coices. Esta medida consiste em conter a égua com uma laçada em volta do pescoço em forma de coalheira, em seguida prender em cada ponta da corda os membros posteriores do animal;
3º- para evitar desgaste excessivo do garanhão ou acidente quando a égua se defende com a sua aproximação, utiliza-se o rufião.

Sabe-se que as melhores crias são provenientes de quarta, quinta, sexta e sétima geração pois a partir da oitava cria, o potro já perde o tamanho e qualidade; por isso é que os criadores preferem descartar-se das éguas mais velhas.

Caprinos

Manejo Reprodutivo de Caprinos 

A base da organização de um sistema para produção de carne e pele está na adoção de épocas de acasalamento bem definidas ao longo do ano, de tal forma a proporcionar um intervalo entre partos médio de oito meses.
Para tornar isso possível, é indispensável à seleção dos animais ao longo dos ciclos de produção, buscando manter no rebanho apenas animais férteis, prolíficos, precoces sexualmente, com alta velocidade de ganho de peso, fêmeas parideiras e boas mães. Sabe-se também, que sem uma escrituração zootécnica eficiente, fica difícil a tomada de decisões e a definição de metas a serem atingidas na produção.

Escolha das Fêmeas para Reprodução
Devem ser escolhidas as fêmeas jovens que tiverem atingido 70% do peso adulto das fêmeas do rebanho, e da mesma raça, bem como as ovelhas e as cabras primíparas e pluríparas do rebanho, selecionadas quanto à fertilidade, prolificidade e amabilidade materna, mensurada através da taxa de sobrevivência de crias ao desmame. Todas as fêmeas devem ser vistoriadas, no mínimo, 21 dias antes do início da estação de acasalamento, quanto a aspectos sanitários, clínicos e ginecológicos, e quanto ao aspecto nutricional. É preconizado o uso de fêmeas com condição corporal entre 2,0 e 2,5, de forma que, ao serem submetidas a uma suplementação protéico-energética, iniciem a estação de acasalamento ganhando peso, atingindo o escore corporal entre 3,0 e 3,5. Fêmeas com escore corporal acima de 3,5, devem ser submetidas a uma dieta de restrição alimentar, para que possam perder peso previamente ao início da estação de acasalamento e atingirem a condição corporal desejada.
Para se elevar os índices de concepção e implantação dos embriões no útero, é recomendado prolongar a suplementação alimentar por até três a quatro semanas após o início da estação de acasalamento, podendo depois reduzir para os níveis de mantença até 100 dias de prenhez.
Não se recomenda o uso de vermífugos nos primeiros 45 dias da estação de acasalamento para evitar o desenvolvimento de fetos anormais.
Escolha dos Machos para Reprodução
Devem ser escolhidos machinhos jovens a partir 7 a 8 meses, devendo para estes reduzir a relação macho/fêmea para, no máximo, 1:15, bem como reprodutores adultos, em torno de 18 meses.
É necessária a realização de exame clínico e andrológico 60 dias antes do início da estação de acasalamento e poucos dias antes de seu início, para que se possa identificar a capacidade fecundante dos animais. É também nesta época que se deve iniciar uma suplementação dos animais visando a melhoria da qualidade do sêmen que será liberado durante a estação de acasalamento. Vale salientar que o sêmen que é liberado “hoje” no ejaculado, foi produzido há 46-54 dias atrás, daí tecer cuidados com 60 dias de antecedência.
Estação de Acasalamento
Para melhor definir a duração das estações de acasalamento, são necessários alguns conhecimentos acerca da fisiologia reprodutiva das fêmeas.
As fêmeas ovinas e caprinas apresentam uma ciclicidade média de aparecimento de estro (cio) de 17 e 21 dias, respectivamente. Encontrando-se estas espécies em um bom estado sanitário, nutricional e em ambiente favorável, esta ciclicidade é observada ao longo de todo o ano nas regiões de clima tropical, onde o Nordeste está inserido.
Baseada nessa periodicidade do aparecimento do estro dimensiona-se a estação de acasalamento para proporcionar a estes animais duas a três chances de emprenharem por ciclo de produção. Geralmente, no primeiro ano de implantação da prática de manejo, se dá três oportunidades à fêmea, ou seja, uma estação de acasalamento com duração média de 51 e 61 dias para ovelhas e cabras, respectivamente. A partir da segunda estação reduz-se para dois ciclos, isto é, 34 dias para ovelhas e 42 dias para cabras.
Objetivando concentrar o aparecimento de estro entre as fêmeas do lote a ser acasalado, pode-se fazer uso do “efeito macho”, técnica de sincronização do estro baseada na utilização de machos vasectomizados. Para que seja induzido o efeito nas fêmeas, os rufiões, bem como os reprodutores e outros indivíduos do sexo masculino, devem ser retirados do contato auditivo, visual e olfativo direto ou indireto com as fêmeas por, no mínimo, 21 dias. Ao serem reintroduzidos no plantel, provoca-se uma descarga hormonal nas fêmeas, suficiente para provocar a ovulação. Em ovinos, uma alta porcentagem de animais chega a ovular, porém o cio não é percebido pelo reprodutor em muitas delas. Baseado nesta particularidade destas espécies, preconiza-se a introdução dos rufiões no plantel, na proporção de 1:25 fêmeas, 20 dias antes de dar inicio às coberturas com os reprodutores, dando a chance de todas as fêmeas apresentarem o estro pela primeira ou segunda vez, concentrando este aparecimento nas primeiras duas semanas da estação de acasalamento, o que facilitará, também, o manejo na estação de parição.
Manejo do Rufião
Há duas possibilidades de manejar os rufiões. Uma é o contato direto desse com as fêmeas ao longo de todo o dia. Nesse caso, é necessário o uso de tinta marcadora no peito dos animais, para que, ao saltarem sobre as fêmeas, esta fique marcada. A tinta deve ser reforçada no início da manhã e final da tarde, quando devem ser retiras as fêmeas identificadas com a mancha de tinta. Estas fêmeas são então levadas ao reprodutor, 12 horas após a identificação do cio. Após a retirada do plantel só deverá retornar após 24 horas de sua separação, ou seja, após o término do cio, para não atrapalhar a identificação pelo rufião de outras fêmeas em estro. Nessa prática de manejo de rufiões, os animais são mais exigidos, necessitando de maiores cuidados quanto ao aporte nutricional para os mesmos.
Uma outra possibilidade é a observação direta da rufiação em apriscos ou piquetes. Esta deverá ser realizada duas vezes ao dia, no início da manhã e no final da tarde, durante um período mínimo de 30 minutos. As fêmeas identificadas em cio pelo rufião são retiradas do lote imediatamente, prosseguindo-se a observação. Esta prática potencializa o uso do rufião no plantel, de forma a aumentar a relação rufião/fêmea, a qual poderá vir a ser de 1:40. Após o término do tempo de observação, os rufiões são apartados das fêmeas e levados a piquete separados destas, onde são suplementados para nova utilização 12 horas depois. As fêmeas em estro podem ser reincorparadas ao plantel após a identificação, sendo separadas novamente à tarde, antes da nova observação, para serem cobertas.
O uso de piquetes pequenos para a observação, facilita a identificação das fêmeas em estro, pois aumenta a proporção de fêmeas por m² de área de identificação, reduzindo o desgaste do rufião e elevando a eficiência do tempo de observação.
Relação Macho:Fêmea
O uso da monta controlada possibilita uma relação de um reprodutor para até 40 fêmeas. Com o uso do rufião essa relação pode ser incrementada, sendo possível o uso de um reprodutor para até 60 fêmeas.
Vale ressaltar, a necessidade de se ter no rebanho o número mínimo de dois reprodutores, pois somente dessa maneira se poderá comparar a eficiência do rebanho entre reprodutores e selecionar indivíduos que realmente estão elevando os índices produtivos, ou seja, que fazem diferença.
Diagnóstico de Prenhez
Caso seja possível, é aconselhada sua realização de forma a direcionar os aportes nutricionais de maneira diferenciada com estado fisiológico das fêmeas, vazias e prenhes. Com o uso de equipamento como o ultra-som, é possível, também, identificar o número de fetos por fêmea prenhe, podendo-se formular dietas baseadas nas exigências nutricionais de uma fêmea com um ou mais fetos. O diagnóstico com o ultra-som transretal, módulo B, pode ser realizado com bastante brevidade, 22-25 dias após a cobertura, permitindo uma alta acurácia na identificação do número de fetos aos 40-45 dias de prenhez. O produtor pode pela ausência de cio em cabras e ovelhas que foram cobertas na estação de monta inferir que elas podem estar prenhez.

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